quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Carta a duas ex-colegas

Caras Colegas:

Uma regra de ouro na educação é ser genuíno e estar com valores e princípios. O sonho dá sempre uma, ainda que pequena, margem de realização e eu não quero partir para a reforma sem lhes dizer frontalmente que o vosso carácter como educadoras mas sobretudo como pessoas é tudo menos leal, sincero e honesto.
Nunca gostei de faltar à palavra dada e tenho muitos defeitos. Sabem qual é o maior? É não saber às vezes onde acaba a persistência que ponho nas coisas em que acredito e começa a teimosia para alcançar os objectivos.
É por isso, que o « veneno» que destilaram sobre mim pelas minhas lutas sinceras, pelas minhas opções sinceras e genuínas, pela obra deixada e pelos amigos( poucos) mas sinceros que encontrei me magoou nesta hora da despedida.
Os bastidores e as conversas aí tidas, a falta de coragem em dizer cara a cara o que penso não fazem parte da minha maneira de ser. Sou frontal e às vezes impulsiva e isso já me tem trazido muitas angústias mas também muitas alegrias.
Sabem que ser determinado nos ideais e assumir o compromisso da verticalidade não é para todos e, por isso, uns pagam mais do que outros nesta vida. Os inteligentes aprendem e recuam para o caminho certo.Os outros os mediocres mantêem-se como se a sua vida não tivesse fim.
Os meus amigos sempre me perdoaram as fragilidades e defeitos e a eles nunca me mostrei como heroína e revelo-lhes sempre as minhas vulnerabilidades.. Com os meus amigos troco, olhos nos olhos, ideias e pensamentos ( neste aspecto sou sempre muito previsível) e juntos analisamos e criticamos permanentemente o nosso trabalho. Somos muito exigentes, não poupamos críticas e não fazemos elogios fáceis. Se às vezes saltamos para o autoelogio os amigos ajudam a pôr travão e não sobem as escadas da sala de professores para conversas de pé de orelha com os seus pares.
O vosso sorriso sarcástico, o abanar de cabeça, o desdizer o que é afirmado no momento seguinte
era afinal conhecido por grande parte da comunidade escolar em que nos movimentamos durante muitos anos, só que eu andei distraída a tratar de limpar o nome de uma da « «fama»pouco abonatória fora da escola e da outra apenas a ignorava, mas já agora gostaria de te lembrar o endereço do meu blog para evitar que o peças na minha ausência e deixes a ameaça de que pagarei pelo que escrevi.
Não fizestes um qualquer comentário que me ajude a melhorar e a não escrever inverdades. Temem o quê? O que eu penso e escrevi sobre avaliação de professores mantêm-se Em relação a todos os coordenadores e não só aos da minha escola.
Avaliadores sem preparação, como as duas, só podem reagir dessa forma. A avaliação dos professores é injusta e deprimente. Geradora de compadrios e amizades de ocasião e sobretudo de bajulação falsa. Premeia a falta de mérito e muitas vezes a incompetência mas acredito que tudo isto vai acabar.
Da próxima vez em vez de se fecharem nos gabinetes a conspirar olhem as pessoas nos olhos e digam o que pensam sem evasivas.

Até sempre

Cândida Ribeiro

2 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem dito, professora!
Na verdade, não passo pela avaliação de professores, nem nada semelhante, mas compreendo muito bem a sua revolta em relação a hipocrisias e falta de frontalidade, pois já este ano passei pelo mesmo em relação a um "amigo" (ou pelo menos assim o julgava). Sei como dói e revolta.
Enfim...
Um grande beijinho
Francisca*

Cândida disse...

Francisca:

Os adultos têm destas coisas...
Como sabes sou frontal e directa e agora que já desabafei vou esquecer estes episódios menos felizes.
Há sempre pessoas boas que vamos encontrando(como por exemplo tu) e outras de que temos que nos afastar por não terem os mesmos princípios e valores.É a vida!!
Desejo é que tu sejas feliz pois,tens a vida pela frente.
Beijinhos
Cândida Ribeiro

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