Ainda sentimos a presença do Natal, por ter sido há pouco tempo.
Confesso que o Natal é para mim uma época de grande nostalgia o que não acontecia quando eu era criança e passava a quadra festiva numa aldeia da Beira Alta.
Havia, porém, no Natal dos últimos anos, uma coisa maravilhosa que me criava alguma ansiedade pela curiosidade de receber o postal de Natal do Dr Edgar Carneiro que era habitual enviar-me, com um poema inédito, que todos os anos criava e enviava aos amigos.
Este ano num dos nossos encontros de café ele disse-me pouco antes do Natal: «-Sabe já escrevi o poema deste ano e acho que está bonito.» A curiosidade aumentou mas era preciso esperar.
Mal eu pensava que seria o último. O Dr Edgar morreu já em Janeiro mas deixou-me ainda o poema de Natal que eu vou partilhar com os meus amigos e seguidores.
O postal escrito em letra trémula dizia:
Estimada colega Cândida Ribeiro
Desejo um Feliz Natal.
Como de costume vai o meu poema de Natal
Um abraço do amigo de sempre
Edgar Carneiro
O poema vinha a seguir:
Menino Jesus
Assim nu te mostraste
sem o manto divino
como um grão de semente
desprendido da haste,
deste jeito mostrando
ao preconceito vão
que pode em solo imundo
gerar-se e vir ao mundo
uma flor de eleição
Natal 2009
Edgar Carneiro
Partilhar com os amigos a beleza deste poema que saiu da pena de um enorme poeta mas sobretudo do coração de um Homem maravilhoso e grande amigo é a homenagem singela que hoje me apeteceu fazer-lhe. Obrigada meu Amigo. Eu sei que está em paz.
Cândida Ribeiro
2 comentários:
Um poema muito sentido, que veio do coração, tenho a certeza, e vindo da cabeça de um grande homem.
Deixou um vazio muito grande no mundo da poesia.
....
Beijinhos
*
Obrigada Francisca
Beijos
Cândida Ribeiro
Enviar um comentário