
Quando sinto que a realidade pesa «fujo» para as histórias.
Devo ao meu pai este gosto e a «massa» de que sou feita e, foi ele, com a sua alegria de viver, que moldou o meu carácter e forma de estar na vida.
É nesses momentos de mais uma história que eu reencontro a minha paz de espírito. São partilhas com muito significado. Para muitos pode ser mais um livro de histórias, mais um conto mas para mim são momentos de ternura, magia, onírico e sonhos com muita história. São viagens e sonhos vividos com as crianças, cheios de afectividade e sentimentos, todos eles felizes.
Com as crianças e as histórias entrego-me totalmente ao que faço e sinto-me embalada em muita alegria, amor, entusiasmo, entrega e dedicação.
Sei que sou uma pessoa positiva e com muita força. Gosto de olhar em frente. Sei também que o meu tempo se está a esgotar, agora que deixei de dar aulas, e que é preciso ter o motor a trabalhar e de alguma forma recuperar o tempo perdido no mundo da magia dos contos e, através do voluntariado, ajudar as crianças a sonhar através das histórias.
É ao contacto com as crianças e à literatura infantil que vou buscar a forma que mais prazer me dá de interpretar as minhas emoções, alegrias e até os meus sentimentos.
Hoje a história era: «Cão que ladra não morde», o grupo era heterógeneo, dos 4 aos 65, avós e netos.
A atenção era a mesma. O olhar e a vontade eram brilhantes.
Senti que nesse momento eu estava a cativá-los a todos, tinha na minha voz a chave que abria a porta dos castelos e dos sonhos de cada um.
A mais pequenina era a Beatriz e ao olhá-la eu recordei as palavras de José Gomes no livro «Conto estrelas em ti», quando na Introdução diz: «Com essas palavras libertas de impurezas do falar quotidiano, o poeta, exprime sentimentos e emoções, convida-nos a ver o mundo, com olhos de ver, a reparar nos pequenos mistérios da vida». Eu acrescentaria que para além dos poetas,também as crianças conseguem esse milagre, quando a Beatriz disse: «Escrevemos poesia quan
No final de cada hora do conto, apetece-me dizer-lhes: «Obrigada por toda a atenção, frontalidade,ingenuidade e amizade que me deram». Alguns, porém, por serem muito pequenos, não entenderiam mas eu sei que recebo mais do que aquilo que lhes dou. Momentos de partilha lindos e intensos.
A relação contador/ouvinte é fundamental para o sucesso dos meninos e o bem-estar do contador.Esta relação assenta muitas vezes num sorriso,numa palavra meiga e mesmo num silêncio oportuno.
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