Continua a perturbar-me aquilo a que insistem chamar de avaliação dos professores. Sou a favor de uma avaliação que seja justa e transparente. A avaliação deve premiar o mérito e o trabalho desenvolvido na escola por bons profissionais.
Na Escola Pública não é isso que acontece, pelo contrário se se souberem movimentar os mediocres e os não envolvidos no processo prosseguem o seu caminho indiferentes aos que foram sendo «ultrapassados».
A mim pessoalmente, a avaliação não me diz nada, pois, o que se passa nas escolas quanto à avaliação é uma comédia em vários actos.
São quase 40 anos como professora e avaliada várias vezes, duas delas em provas públicas, uma na Escola Gomes Teixeira no final do Estágio Pedagógico quanto perante um júri nacional fiz Exame de Estado para entrar na carreira, outra já na Sá Couto quando prestei provas públicas de acesso ao 8º escalão da carreira, tendo defendido o meu cúrriculo anterior e um trabalho pedagógico com o título:«O texto explorado na aula, ponto de partida para novas leituras».
No ano conturbado das grandes lutas dos professores, eu acreditei que a justiça era possível. Mas aquela Ministra era completamente surda ou melhor teimosamente não quiz ouvir...e simplificou, simplificou de tal modo que semeou a confusão generalizada.
No meu caso senti-me muito injustiçada pela aplicação, em 2009, de uma lei cega, vergonhosa e injusta.
Ao receber a minha avaliação no final do ano lectivo tive a notação de Excelente em quase todos os prâmetros avaliados por quem no terreno conhece bem o meu trabalho mas faltava-me uma aula combinada no dia certo com o professor de Educação Moral e Religião Católica. Com que «moral» um professor que casualmente nesse ano era Coordenador de um grupo de professores de Português e História ia avaliar uma aula minha? E tão errado isto era que a Ministra voltou a simplificar e podiamos combinar o dia da aula assistida com uma professora do grupo (minha amiga, por acaso). Voltei a recusar essa fantochada combinada com dia e hora marcada com antecedência, essa poderia ser uma excelente aula mas e todas as outras aulas ao longo do ano podiam ser de uma enorme incompetência?
Todas as minhas aulas estiveram sempre abertas para «aprender e ensinar» o que cada colega tem para trocar como experiência.
E então a avaliação foi Excelente? Não. Desceu para Bom, saltando por cima do Muito Bom. A lei super simplificada não permitiu situar-me nos dois escalões superiores, faltava-me uma aula assistida...toda a dedicação à Escola e aos alunos não contava da mesma forma.
E os outros professores? Bom, alguns bastou-lhes serem coordenadores, mesmo não sendo da disciplina para sem qualquer aula assistida ocuparem as quotas doMuito Bom.Foi o caso do meu Coordenador.
Não tenho qualquer problema com a avaliação. Afinal estou de saída, já pedi a Reforma. Com a minha saída antecipada voluntariamente perde mais a Escola do que eu. Pena? Só de alguns amigos e dos alunos, estes fizeram-me muito feliz ao longo da minha longa carreir
a de professora.
Saio desiludida e angustiada.
Aos pais dos alunos quero dizer: -Não acreditem nesta avaliação ditada por regras que premeiam tudo menos o «MÈRITO».
Professora Cândida Ribeiro
Na Escola Pública não é isso que acontece, pelo contrário se se souberem movimentar os mediocres e os não envolvidos no processo prosseguem o seu caminho indiferentes aos que foram sendo «ultrapassados».
A mim pessoalmente, a avaliação não me diz nada, pois, o que se passa nas escolas quanto à avaliação é uma comédia em vários actos.
São quase 40 anos como professora e avaliada várias vezes, duas delas em provas públicas, uma na Escola Gomes Teixeira no final do Estágio Pedagógico quanto perante um júri nacional fiz Exame de Estado para entrar na carreira, outra já na Sá Couto quando prestei provas públicas de acesso ao 8º escalão da carreira, tendo defendido o meu cúrriculo anterior e um trabalho pedagógico com o título:«O texto explorado na aula, ponto de partida para novas leituras».
No ano conturbado das grandes lutas dos professores, eu acreditei que a justiça era possível. Mas aquela Ministra era completamente surda ou melhor teimosamente não quiz ouvir...e simplificou, simplificou de tal modo que semeou a confusão generalizada.
No meu caso senti-me muito injustiçada pela aplicação, em 2009, de uma lei cega, vergonhosa e injusta.
Ao receber a minha avaliação no final do ano lectivo tive a notação de Excelente em quase todos os prâmetros avaliados por quem no terreno conhece bem o meu trabalho mas faltava-me uma aula combinada no dia certo com o professor de Educação Moral e Religião Católica. Com que «moral» um professor que casualmente nesse ano era Coordenador de um grupo de professores de Português e História ia avaliar uma aula minha? E tão errado isto era que a Ministra voltou a simplificar e podiamos combinar o dia da aula assistida com uma professora do grupo (minha amiga, por acaso). Voltei a recusar essa fantochada combinada com dia e hora marcada com antecedência, essa poderia ser uma excelente aula mas e todas as outras aulas ao longo do ano podiam ser de uma enorme incompetência?
Todas as minhas aulas estiveram sempre abertas para «aprender e ensinar» o que cada colega tem para trocar como experiência.
E então a avaliação foi Excelente? Não. Desceu para Bom, saltando por cima do Muito Bom. A lei super simplificada não permitiu situar-me nos dois escalões superiores, faltava-me uma aula assistida...toda a dedicação à Escola e aos alunos não contava da mesma forma.
E os outros professores? Bom, alguns bastou-lhes serem coordenadores, mesmo não sendo da disciplina para sem qualquer aula assistida ocuparem as quotas doMuito Bom.Foi o caso do meu Coordenador.
Não tenho qualquer problema com a avaliação. Afinal estou de saída, já pedi a Reforma. Com a minha saída antecipada voluntariamente perde mais a Escola do que eu. Pena? Só de alguns amigos e dos alunos, estes fizeram-me muito feliz ao longo da minha longa carreir
Saio desiludida e angustiada.
Aos pais dos alunos quero dizer: -Não acreditem nesta avaliação ditada por regras que premeiam tudo menos o «MÈRITO».
Professora Cândida Ribeiro
4 comentários:
O meu Excelente para si.Eu dou as minhas aulas de porta aberta para quem quiser ver e ouvir...Um abraço enlaçado de carinho.Pilar
Pilar:
Obrigada pelo teu Excelente. Só tem medo de ser justamente avaliado quem nunca fez nada. Esta palhaçada que se vive nas Escolas de fazer nascer avaliadores de UMA aula anual, do dia para a noite, só por serem Coordenadores, alguns deles os menos competentes e impreparados, não encaixa na minha cabeça.
Ah! eles para terem muito bom não precisam de aulas assistidas!!!!
óptima lei para gerar cada vez mais incompetência.
Aquele enorme abraço de uma menos jovem para uma jovem professora e amiga.
Cândida Ribeiro
Olá professora! :)
É verdade, as leis são as leis (por muito pouco sentido que façam)...
Mas mesmo que a tenham avaliado em Bom, dou-lhe um Excelente do fundo do meu coração ;)
Beijinhos
Francisca
Francisca:
A vida é assim. Avaliar é uma coisa complicada e nem sempre somos justos, mas quando uma aluna, como tu, nos avalia do fundo do coração em Excelente não precisamos de ligar ou dar grande valor a outras avaliações.
Não quero desiludir-te mas prepara-te para o que
a vida tem de injusto.
Tu vais ser feliz pois mereces.
Um beijo enorme
Prof. Cãndida Ribeiro
Enviar um comentário