sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

HOMENAGEM ao AMIGO e ao POETA

Uma noite memorável e inesquecível a que se viveu na ONDA POÈTICA em Espinho, que lembrava a poesia de Edgar Carneiro.
Escrevi há dias na Defesa de Espinho que o poeta se libertou da lei da morte. Não será esquecido! Aconteceu isso mesmo esta noite em que familiares, amigos, companheiros da onda poética , simples conhecidos ou curiosos encheram a sala e viveram a sua poesia lendo-a ou ouvindo-a com a mesma alegria e sentimento.
Cada um foi recordando o tempo, as conversas, as confidências, as histórias e a poesia vividas com o Poeta.
Eu, particularmente, emocionei-me em vários momentos.
O Dr Edgar era um homem integro, coerente, vertical mas era também afável, carinhoso e sempre disponível à troca de ideias e experiências.
Perdemos o seu convívio físico mas a cadeira que ocupou durante anos, nestas tertúlias poéticas, lá estava com a bengala, a boina, os óculos, todos os livros que ele deu ao prelo (excepto um que está esgotadíssimo). Ah! e bem ao alto com o seu ar altivo estava uma Rosa Vermelha, flor da sua preferência. Disse-me muitas vezes que mesmo não sendo as rosas vermelhas para ele era como se fossem.
No desdobrável distribuido a todos os presentes desta Onda Poética consta o seguinte:
«Os seus versos dão bem conta, pelo quanto cantam a beleza das coisas, das razões que fazem a vida valer a pena. E ele amou a terra onde nasceu e aquela onde lhe foi dado viver e cantou-as a ambas.
Edgar Carneiro é sobretudo conhecido entre os entendidos da literatura como um mestre da poesia breve e a sua arte está principalmente na sua capacidade de dizer muito em poucos versos. Ele escreveu muitas vezes sobre as rosas e elas são bem a imagem da sua poesia: por mais pequenas que sejam, prolongam-se no seu aroma.»
A música esteve também presente, tendo Carlos Andrade cantado vários poemas que ele próprio musicou, acompanhando-se à guitarra. O Dr Edgar também iria gostar ou não tivesse ele vivido intensamente a Academia Coimbrã nos seus tempos de estudante.
Gostei de ler estas palavras, pois sei bem que correspondem à verdade sobre o meu amigo.
Não pude deixar de participar lendo três poetas do meu amigo e poeta e escolhi um por gostar muito dele mas sobretudo por estar ali o retrato do peta e vou partilhá-lo com os meus seguidores:


AS TRÊS PONTES
No começo longínquo dos meus dias,
e sentir-se inseguro
sem rumo e sem guias,
de três pontes havia que escolher
Era uma de pedras preciosas,
tapetada de rosas,
por onde iam os donos do poder
Era outra dos arcos do triunfo
tapetada de junco,
por onde iam as almas de eleição.
Era outra de sonhos e suspiros,
com luar a mantê-la
é ainda por ela
que vai meu coração
In Périplo de Edgar Carneiro

Lá onde está, desde 15 de Janeiro, o seu sorriso envolveu-nos a todos e saímos de lá mais leves e mais felizes por através da sua poesia termos estado outra vez todos juntos.A minha lembrança e amizade de sempre.

Cândida Ribeiro

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