Nessa sexta -feira de outubro de 1971, o sol brilhava muito e eu apresentei-me na Escola D. Pedro V, em Fiães nervosa mas muito curiosa e expectante.
O Dr Edgar recebeu-me com o sorriso afável que lhe era característico e foi ele que segurando de mansinho o meu cotovelo me foi empurrando para a minha primeira aula.
Ele era assim amigo, disponível e protector e sobretudo um conselheiro de eleição.
Tantos jantares e almoços de confraternização! Nessa altura o Dr Edgar e a esposa acompanhavam sempre o grupo de professores e funcionários da Escola.
Ao longo dos anos nas conversas que fomos tendo reco
rdámos essa Escola onde reinava um ambiente de paz e alegria .Tão diferente da Escola de hoje.!!!.. Um Director colaborante, humano, compreensivo mas sobretudo um exemplo para todos nós. Tão diferente da última Directora que tive enquanto professora...
São tantas as histórias bonitas que estaria aqui muito tempo. Voltarei a elas...
Hoje 10 de Fevereiro pude ler três poemas do Dr Edgar na Onda Poética cá vai mais um.
O MEU DESTINO
No pano verde apostado
quis ficar sempre a ganhar
mas por força do destino
supondo o trunfo a meu lado,
joguei ouros e perdi.
No xadrez da minha vida,
em cada muda que fiz
do peão à torre erguida
quis ser um rei vencedor
mas enfrentado perdi.
Na roleta do desejo
de prazeres inominados
onde meus dados meti
quis ser em pleno atendido
mas nem tudo consegui.
Vendo que a sorte é negaça,
em vez de louca ambição
conduto da mais-valia
quis ser apenas poeta,
e ganhei na lotaria.
Edgar Carneiro
Muito bonito!!
4 comentários:
Olá professora!
Então, tudo bem?
É verdade, a poesia faz muito bem.
Como a professora sabe, também eu escrevo, e adoro. É uma maneira excelente de desanuviarmos um pouco, de nos expressamos e dizermos o que sentimos.
Aqui vai um poema que escrevi recentemente. Espero que a professora goste.
Beijinho grande
*
Francisca
Amor é como uma ferida,
Um espinho que magoa e faz sangrar
Mas também pode ser alegria
Que faz o coração rejubilar
Amor é chuva, tão fria
Que bate suave e calada
Mas amor também é Sol
Que ilumina a nossa Caminhada
Amor é o Céu azul
Em toda a sua imensidão
Amor é a terra molhada
Um sonho, uma ilusão
Amor é libertação
Como gaivota voando em liberdade
Amor também é sofrimento
Amor também é saudade
O amor é Paraíso,
Pode também ser Inferno
Amor pode ser frio
Como o gelo do Inverno
Mas amor pode ser quente
Oh, qual chama que consome o coração
Chama que arde lentamente
O fogo intenso da paixão...
Amor é um sentimento
Belo, forte, humilde
Mas também consegue ser desleal
Qual onda do mar tão grande
Que humildemente se esbate no areal...
Amor é uma ligação
É bom saberes que és amado
É díficil de explicar amor
Mas o amor foi feito para ser vivido
Não para ser explicado.
Querida Francisca:
Que bonito poema e grande sensibilidade. Tu és na verdade uma menina de ouro. Adorei o teu poema e logo enviado numa data tão apropriada.
Teve algum destinatário especial? Estou a brincar, mas quem sabe...
Continua, pois um dia ainda vou ser apresentadora de um livro teu.
Posso fazer uma postagem com o teu poema?
Tenho feito várias do dr Edgar, tens gostado?
Olha agora que ele partiu, Deus dá-me a aluna para eu continuar a ter poesia. Obrigada Francisca.
Um terno abraço da tua amiga
Cândida Ribeiro
Obrigada professora, fico contente por saber que gostou. Não, não tem nenhum destinatário especial. :)
Sim, claro que pode fazer uma postagem com um poema. Tenho adorado as postagens em homenagem ao Dr. Edgar Carneiro.
Um beijo muito grande
Francisca
Francisca:
Obrigada pela tua atenção ao meu blog. Não imaginas a alegria e orgulho que me fazes sentir por ter sido professora.
A solidão da reforma é menos difícil com alunos como tu. Obrigada do coração.
Um beijo
Cândida Ribeiro
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