domingo, 20 de fevereiro de 2011

O MEU REFÚGIO

O meu retiro de eleição é uma pequena aldeia na freguesia de Pinzio no Distrito da Guarda.Por ser um regresso às origens, pela beleza natural da paisagem e pelo que me proporciona do silêncio das pessoas. Posso ouvir o ruído do vento, das árvores e o cair da chuva que me proporciona o cheiro a terra molhada da minha infância e também pela liberdade que me dá de me encontrar e nunca me perder.
É a paisagem mágica dos pequenos canteiros rústicos e do banco de pedra onde o meu pai se sentava( ainda se chama o banco do meu pai ou o banco do meu avô, conforme a pessoa que fala). Poder ali , naquele silêncio, ler as frases rasgadas de alguns cronistas de quem mais gosto, ou o meu livro preferido (e são tantos...)basta que me transmitam autenticidade e entrega de quem escreve.
E, naquele local recôndito gosto de viver as histórias actuais dos que ali vivem todo o ano mas sobretudo as que me contam os lavradores mais antigos( actualmente chamam-lhes agricultores) e, poder ouvir chamar-me «...didinha», o diminutivo por que me tratavam quando eu era pequena, e que não se habituaram a substituir. E quando me dizem: «devia chamar-lhe Drª mas...» é mágico para os meus ouvidos. São 80/90 anos de vida e sabedoria quase sempre adquirida presos à terra que os viu nascer.
A sua voz soa a grandes cantores com músicas e poemas de que estão cheias estas palavras de tanta sabedoria e ternura.
Um dia escreveu o poeta:«As emoções é que nos fazem crescer». Eu sei que cresci no meio destas emoções e desses «Velhos» recebo, nessas conversas, os fundamentos das pistas de reflexão sobre o futuro. Falam da sua vontade de terem vivido para serem homens e mulheres honestos e solidários.
Guardei para o fim o mais característico som, o do sino da Igreja que ainda toca às Trindades à hora certa e o relógio colocado na mesma torre e que nos vai lembrando o correr do tempo que naquela terra é mais lento mas bem vivido.
É lá que eu gosto de recuperar forças contando as estrelas do céu à noite e ouvindo o silêncio, pois, os aldeãos, esses já dormem.
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FOTOS:
1- Paisagem da zona envolvente da minha aldeia.
2- O banco de pedra do meu pai (junto ao meu jardim à volta de casa.)
3- Os meus canteiros à volta da minha casa.

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