sábado, 26 de novembro de 2011

MAIS UMA HISTÓRIA!




O dia era de sol intenso, apesar de já estarmos no Outono que dias antes se mostrara agreste e intempestivo.

O encontro com os meninos é às 5ªs feiras, às 10h na Biblioteca Municipal e nesse dia iam ouvir: «Era uma vez...O Mar» de Regina Gouveia.

Eram 24 meninos/meninas do 3º ano da Escola EB1 de ESpinho3.

Encanto, magia e onírico misturavam-se no olhar de cada um e. logo no acolhimento e motivação para o conto que lhes fiz. eu segurava na mão uma caixinha (oferta de uma colega que há anos na Biblioteca da nossa escola ouviu uma das minhas histórias pela 1ª vez).

Os meninos interrogavam-me, sempre com o olhar intenso, sobre que caixa seria aquela!!?

Pois, é a minha «Caixa dos Beijinhos». É na caixinha que cada menino deposita o beijo de boas vindas que me envia soprado da palma das mãozitas estendidas e acreditam que aqueles beijos ficam ali quietinhos à espera de comigo à noite, em minha casa, conversarem, contarem segredos e histórias para eu voltar a contar a outros meninos.

Nesse dia a Marta perguntou:

-Se chorar à noite, tamb´ém falam com a Srº professora?

É só uma das ingénuas e crédulas perguntas que surgem das cabecitas maravilhosas.

Todos têm muita curiosidade em ver o que está dentro da caixa. Claro que eu mantenho sempre o suspense e não abro«Nunca» aquela caixa mágica.

Mágico foi também o momento!

Hoje, pousei a minha caixinha num banco com a carteira em cima e comecei a ler a história escolhida para aquela sessão.

Imperava o silêncio e a atenção.

Na fila da frente estava o Nuno, mexido e falador que de vez em quando desviava o olhar de mim para a caixa de sobrolho franzido.

Direi então que o Nuno também era curioso.

Terminada a leitura da história, passámos para a salinha ao lado para com a Professora Isabel fazerem a ilustração da história. Entusiasmados os meninos. à volta da mesa, faziam fluir os desenhos em catadupa da ponta de cada lápis. Cada um estava a ajudar a construir um painel colectivo.

O Nuno julgando-nos a todos distraídos, esgueirou-se sorrateiramente e, pé ante pé, dirigiu-se para a minha caixa. Segui-o e vi-o hesitar com a mãozita quase tentado a abri-la. Eu disse-lhe apenas:

- Ai, ai!!!

Assustou-se. Sorri-lhe e voltámos os dois para a sala.


Fica o trabalho final de ilustração que os meninos deixaram na BM.

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